– Conte um pouco da sua história no esporte, por favor? Como começou? Com quantos anos? Quais as motivações que te levaram ao Triathlon?

         Primeiramente, obrigado pela oportunidade. Minha história com o triathlon é uma história que é amarrada com muito sentimento e acredito que a Japi catalisou e alavancou muitas emoções no decorrer de todos esses anos.    

Comecei com o atletismo aos 10 anos, fui uma criança com muita energia e disposição e vi no triathlon uma oportunidade para gastar ainda mais essa energia toda, já aos 12 anos.  Isso aconteceu facilitado pelo envolvimento de meu irmão Murilo que já praticava esse esporte com muita emoção.   

          Percebi então um potencial e vontade crescente, quase como um dom. E eu amo explorar dons, dar o máximo para potencializar isso. Treinar e competir, portanto, eram coisas cada vez mais interessantes. Com 18 anos ingressei no profissional. Aos 23 ganhei minha primeira prova e ao redor dos 30 anos comecei a ser um expoente internacional. Isso depois de muito treino e dedicação! Hoje já tenho 39 anos e 27 anos ligados ao triathlon. 

– Como conheceu a Ana Oliva? 

A Ana…. Sabe que toda vez que a vejo, ouço ou lembro dela só me veem memórias boas?  Pois é verdade. Ela foi minha parceira de uma coluna de uma revista especializada de triathlon:  diário até o Ironman, em 2011, da revista MundotriParticipamos juntos desse diário contando nossos treinos, temores e experiências ao longo da preparação pra prova. O Brasil todo viu nossa preparação, semana a semana. Na época eu tinha 29 anos.  

Então na véspera da prova nos conhecemos pessoalmente finalmente!  Depois de tanto ler um sobre o outro, acho que nos conhecíamos bem! Foi bastante curioso e divertido.  No dia D, da prova em si, tivemos ambos resultados sensacionais.  Como eu corria na categoria Elite e de forma inédita quase venci a prova, chegando na segunda colocação o diário marcou muito todos que assistiam a prova. Foi uma baita emoção!  Um brasileiro pertinho da vitória foi uma loucura! No dia seguinte conversamos um pouco e soube que nós dois arrasamos no Ironman.  Era um sentimento muito legal!   Na semana seguinte, eu já em casa, aqui em Curitiba a Ana me ligou. Vou contar sobre isso a seguir. 

– Há quantos anos é parceiro da Japi? Como começou? 

Essa ligação aconteceu há 10 anos atrás. Após aquela prova, a Ana acabou me ligando e realizando a conversa por telefone mais promissora de minha história no esporte. Ela contou sobre o grupo Astra, a Japi e disse que gostaria de me incentivar no esporte.  Comovido que fiquei mal sabia o que falar, mas por dentro eram só fogos de artifício. Dali em diante começou nossa história que remonta há 10 anos. Os meus melhores 10 anos no esporte, com certeza. 

            Fica minha profunda gratidão a ela e a quem segue o exemplo de estender a mão.  É muito importante. 

No meu caso, de um atleta promissor com alto potencial me tornei um atleta profissional multi-campeão. 

– Qual a importância do patrocínio ao esporte? 

Que o esporte é maravilhoso e traz inúmeros benefícios para atletas e não atletas, já sabemos. Quer pelo corpo em movimento, ou por mostrar que um ser humano pode realizar proezas admiráveis.  O patrocínio significa segurança. É como abrir o coração inteiramente para o esporte sem medos.  Quando há medo, por dificuldade financeira ou por não acreditar em si mesmo é como se houvesse um potencial inexplorado.  Um portão fechado ou um sinal amarelo (ou vermelho).  Para mim, a Japi me patrocinando tornou todos os sinais verdes. Foi preciso confiar e acelerar para o meu futuro! Não consigo expressar tamanha gratidão e admiração por essa empresa. 

Estive na Japi algumas vezes para conhecer a empresa, desde a fábrica até os funcionários. Também estive lá para conversar com os funcionários através de mini palestras que para mim foi uma forma de retribuir isso. Todas as vezes sinto que foi realmente muito proveitoso e importante. 

– E qual a importância do patrocínio da sua carreira? O que te possibilitou? 

Quando todos os sinais verdes se abriram a primeira coisa que aconteceu foi uma variedade de incentivo de várias partes. E então provavelmente confiei mais em mim e treinei assiduamente, já com convicção que poderia representar bem o nosso país.  

 Logo na sequencia realizei um dos meus sonhos: fui campeão da prova tida como a mais bonita do mundo, o Ironman 70.3 de Pucón, no Chile. Daí comecei a acreditar mesmo, afinal tinha chegado num nível de confiança e performance grande.  

Depois realizei incursões em provas de Ironman através do mundo: África (10o lugar), EUA (5o), Brasil (4o), Brasil (7o). Para finalmente realizar meu sonho em 2014 quando fui campeão do Ironman Brasil.   

Aqui já tive mais incentivo de outros patrocinadores, como a Asics e a Team Bravo/ Coca-Cola (2014)que me possibilitou expandir meus treinos para fora do Brasil. 

Com isso em 2015 me sagrei campeão do Ironman da Dinamarca. Como curiosidade, fui campeão neste dia e no dia seguinte a marca Ironman foi comprada por um grupo chinês, e então colocaram minha foto na capa do Financial Times. 

Também competi no Ironman do Havaí que é o Grand Slam do Triathlon mundial, onde fui 25o colocado.  

Isso confirmou todos os meus sonhos esportivos e desde então venho buscando resultados diferenciados, com um hiato de provas importantes.  Venci provas mais locais, fui top 5 no Ironman Brasil novamente (2018), mas algumas lesões e agora a pandemia fizeram com que buscasse novas maneiras para evoluir no esporte.  Agora meu foco está em expandir minha consciência e em amar o esporte ainda mais, como forma de aprimoramento pessoal e sabedoria.  Busco ainda o alto nível competitivo para fins de 2021 e para o ano que vem aonde as provas irão voltar a acontecer, muito provavelmente. 

– Qual o papel das empresas e da sociedade no incentivo ao esporte?

Eu poderia te perguntar em retórica para que haja entendimento na resposta: qual o papel de um professor se não houvessem alunos? Qual o papel de um advogado sem um caso? Qual escritor conseguiria publicar seus manuscritos sem uma editora?   Acredito que o esporte sem o incentivo é a mesma coisa.  O esporte é uma vitrine multifacetada de qualidades admiráveis, as físicas e as mentais. E além disso das de conduta.

Superação, aceitar falhas, trabalhar o pensamento positivo, aliás, trabalhar assiduamente e inteligentemente.   E também em buscar forças quando não há mais recursos… O esporte inspira, mas para ser esse modelo de fortalezas é preciso que possamos dar as mãos.  O professor e o aluno, o advogado, o escritor, a Japi, o Guilherme e muitos outros atletas e empresas que podem vir a transformar a vida de inúmeras pessoas. 

Sou grato por todos os programas do governo que ajudam o esporte, grato a iniciativa privada de pessoas que investem no esporte como ferramenta para mudar o mundo para melhor e também para os atletas que me deram o exemplo, que fizeram com que meus olhos brilhassem pela beleza de suas ações e ideais. Eu realmente fico chocado como algo pode ser lindo e transformador. Assim que vejo os livros, os professores, a sociedade que pode se ajudar.  Não falo utopia, porque nosso caso é real como muitos podem ser.  

– Quais os desafios durante a pandemia? E o que tem feito para superar e contornar esse momento? 

A pandemia foi uma fase importante para todos. Resignificar todas coisas foi necessário!

Eu estava me preparando para uma performance de ouro, no Ironman do Brasil para Maio de 2020.    Contudo, aceitei o momento, após alguns dias bem pensativo quando tudo foi cancelado e veio o “lockdown”. Então passei a fazer o melhor que podia a cada dia. Muitas vezes isso foi admirar a natureza, outras foi ver o mundo com os olhos de um “não-atleta” pois não havia provas a competir. Então treinei menos e me dediquei muito a cuidar.  Cuidar da educação de meus filhos, cuidar de descentralizar de mim e minha performance, para expandir o olhar para ver como minha esposa zela pela casa e pelos nossos filhos. Pelos avós que sorriem totalmente e sinceramente a ver os netos.  Comecei a dar uma importância enorme à simplicidade.  

Atletas querem muito e mais a todo momento como se vivêssemos num carro de corrida a todo instante. Foi o momento que desliguei o turbo e apreciei com outros olhos as sutilezas da vida. Já tinha isso em mim, mas aprimorei. Foi importante para mim. Meditei bastante, aprendi a cuidar de meus pensamentos e minhas ações por mais pequenas que fossem. Já na parte esportiva aprimorei minha flexibilidade em melhorar de uma forma diferente.  Seja no alongamento, seja na correção da biomecânica ou de reconhecer minhas falhas mais rapidamente.  No esporte também tenho meus pontos fracos que poderiam melhorar e que precisavam de uma atenção cuidadosa. Uma lustrada na lataria, encher mais o pneu, para deixar meu formula 1 ainda melhor quando voltarem os GP internacionais. 

Quais os planos para esse final de ano e 2022?

Esse ano a tendência é que já tenham provas de maior relevância já no Brasil. Isso é, os atletas profissionais juntos, competindo com atletas internacionais concorrendo a boas premiações e um nível técnico mais alto. Percebi que as performances internacionais têm evoluído enormemente, como o recorde mundial de Ironman abaixando de 7h30, por exemplo.  Algumas médias de ciclismo incríveis aconteceram em algumas provas. Isso é um bom combustível para alcançar minhas melhores performances na vida novamente em 2022. Assim acredito que serei novamente competitivo. E não falo necessariamente em vencer a todo custo, mas em superar-me novamente com uma performance que demonstre como e o quanto foi preciso me desenvolver para estar fazendo o que amo de forma competitiva. Ainda falta um pouco para isso, mas medos não tenho! 

Como já disse, agradeço a oportunidade enormemente. E para aqueles que pensam que o esporte é somente para atletas, não se engane.  Através do esporte há maior saúde em vários aspectos. Emocionais, físicos e de autoestima. O passo mais difícil é o primeiro, mas também é sempre o mais importante!